Editorial – Julho/2009

Roberto Colichio Gabarra

Roberto Colichio Gabarra

Olá amigos.

Há 3 meses assumimos a SONESP. Na ocasião, final do Neurão, pouca gente ficou para a assembléia, que foi marcada ao final do evento.

Como quatro anos atrás, nosso nome fora cogitado para a presidência e como muitos colegas do interior, e mesmo de SP, haviam nos cobrado esta participação, discutimos a possibilidade com alguns poucos colegas que resistiram ao “adiantado da hora”. Dois deles já tinham até chapas prontas faltando o presidente.

Fiquei preocupado: estarão procurando uma “rainha da Inglaterra”?

Ao solicitarmos a ambos as composições, como era esperado, os nomes eram praticamente os mesmos, variando às vezes o posto. De inicio fiquei intranqüilo, mas confesso que as duas listas coincidiam com a minha. Quando preciso da colaboração de alguém falo com quem não tem tempo ou que já participa. Pensando nisto e pensando em fortalecer a união dos neurocirurgiões de SP aceitei e acatei sugestões. Quem tem objetivo de conciliar e congregar não pode prescindir de voluntários nem impor condições.

Creio que nem fui eleito, nem me impus: fui aceito. E, por isso mesmo gostaria de servir de aglutinador. Como tenho espírito gregário vou tentar nesta gestão aparar arestas e congregar os colegas. E, isto só tem razão porque as arestas existem. Eu seria hipócrita se dissesse que estamos todos unidos em torno da SONESP. No entanto as diferenças que nos separam não devem passar do campo da disputa sadia pelo mercado. Disputa esta que deve ser pautada pela qualidade, pelo talento, pela competência e balizada pela ética e pela educação.

Qualidades marcantes dos neurocirurgiões. Senão vejamos: Não fossemos qualificados, talentosos e competentes, com certeza não entraríamos em campo. Não fôssemos éticos não freqüentaríamos hospitais e casas de ensino. Não fossemos educados, não teríamos pacientes. Então porque arestas e conflitos? Por vaidade? O que mais nos envaidece é vermos os resultados do nosso trabalho. Pelo poder? Trabalhando com doenças graves, perdemos pacientes e resultados em função da gravidade da doença e de problemas sistêmicos fora do nosso controle.

Enfim somos obrigados a nos conformar exatamente com a nossa impotência em solucionar o que não tem solução. Então o que pode nos separar senão apenas e tão somente nossa incapacidade em nos entender em algumas circunstâncias e nossa tolerância nem sempre complacente.

Colegas, mas esta intolerância e a falta de comunicação são causadas também e principalmente pelas dificuldades que encontramos na nossa prática profissional. Pelas injustiças que deparamos diariamente praticadas contra nossos pacientes, e até contra nós mesmos. Pelos nossos honorários não honrados, pelos nossos salários desvalorizados, pela terrível inversão de valores reinantes no mundo moderno. Pelas injustiças sociais que se descortinam a nossa frente – afinal somos termômetros de uma sociedade. Uma sociedade carente de educação, de saúde, de emprego, de salários.

Mas então colegas, nossas angustias são comuns! Nossos problemas os mesmos! Nossos objetivos são coletivos. Vamos nos unir em torno da nossa associação para tentarmos minorar nossas angustias, definirmos nossos problemas e concentrarmos nossos objetivos. Na verdade a razão da SONESP é a representatividade e sem a colaboração de todos, ela perde a razão de existir. Conclamo a todos nos aproximarmos e colaborarmos com a SONESP. Participando das reuniões, prestigiando nossos eventos e evidentemente nos trazendo problemas, sugestões e principalmente soluções.

Roberto Colichio Gabarra

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