Nos dias atuais é comum o paciente chegar no consultório médico com uma extensa pesquisa bibliográfica sobre sua doença e seus possíveis tratamentos, obtida por buscas na Internet, ou, muitas vezes, questionando um novo tratamento que foi anunciado no telejornal.
Sem dúvida nenhuma, a popularização do conhecimento médico é positiva, pois determina uma postura mais consciente por parte do paciente, que divide com seu médico a responsabilidade das decisões terapêuticas.
No entanto, conforme ouvi em um encontro de especialistas, ao apontarmos uma conduta médica devemos definir previamente “onde” e “quando” tal conduta poderá ser aplicada e “quem” fará isso. Em outras palavras, devemos dizer sem hipocrisia que a medicina se distribui ao longo do tempo e do espaço de forma bastante heterogênea. A tecnologia extremamente cara e essencial para algumas especialidades médicas fica, infelizmente, restrita a alguns poucos centros.
Dessa forma, o tratamento de um paciente com aneurisma cerebral – que há mais de 15 anos pode ser feito na França por cateterismo cerebral e embolização (colocação de pequenas molas que preenchem o aneurisma evitando seu novo sangramento) – só pode ser realizado por cirurgia convencional em inúmeras cidades do interior de São Paulo, por exemplo.
O paciente tem informações sobre as novas tecnologia mas ignora que ela não está disponível. Com isso, ele passa a desconfiar do tratamento mais simples, mesmo que seja eficiente
Possivelmente uma pequena porcentagem de pacientes com aneurisma cerebral pode ser tratada por embolização em nosso país. E podemos afirmar que os centros especializados estão concentrados na capital paulista. As razões da falta de acesso a essas tecnologias são financeiras (faltam hospitais devidamente equipados e capacitados com materiais que, em geral, têm custos elevados) e de recursos humanos (precisamos de pessoas capacitadas e treinadas para realizar esses procedimentos).
Respondendo às perguntas – Onde? Quando? Quem? -, podemos dizer, no exemplo da embolização para aneurismas cerebrais, que na França e na cidade de São Paulo (onde), em 2005 (quando), são realizados esses procedimentos e que em centros menores a cirurgia convencional por microcirurgia é a modalidade terapêutica disponível.
Algumas perguntas são pertinentes: qual o melhor tratamento? O paciente não deveria ter o direito de escolha? Quando teremos difundida essa modalidade de tratamento? E, por fim, “quem” aplica com propriedade tal conduta?
Respondendo conjuntamente: recentemente, um artigo científico não mostrou diferença significativa entre os dois tratamentos, desde que realizados por cirurgiões ou embolizadores altamente capacitados. Quando ambas as opções são eficientes, o paciente deve ter o direito de escolha, na maioria dos casos. Aliás, torcemos para que esse direito de escolha seja, em breve, assegurado à população em geral.
Por enquanto, o maior problema reside no fato de a globalização da informação não vir acompanhada da distribuição eqüitativa da tecnologia médica, culminando na incompreensão das limitações locais por parte do paciente. O que, em última análise, pode inviabilizar um tratamento médico local adequado e eficiente.
Voltando ao exemplo da embolização de aneurismas cerebrais, esperamos que essa tecnologia, conhecida há duas décadas em países do Hemisfério Norte, possa beneficiar em breve os pacientes brasileiros e de outros países. Enquanto isso, esperamos que a globalização da informação não seja enganosa e desleal ao ponto de deixar um paciente inseguro (além do inerente à condição de doente) diante da necessidade de uma microcirurgia convencional para o tratamento de seu aneurisma, visto que a literatura médica aponta resultados semelhantes para ambas as técnicas (cirurgia e embolização).
Acreditamos que os centros altamente especializados devam usar todos os recursos humanos e tecnológicos para o tratamento das patologias cerebrais, sem, no entanto, contribuir para a divulgação, por vezes pouco fundamentada, das exigências tecnológicas supostamente indispensáveis para a realização de tais procedimentos. Ressaltamos, portanto, que a sensacionalização da informação médico-tecnológica – diferente da popularização bem-intencionada do conhecimento científico – pode realmente dificultar a relação médico-paciente, não raro inviabilizando o tratamento de pacientes portadores de patologias cuja complexidade não exige grande aparato tecnológico para sua realização.
O paciente tem informações sobre as novas tecnologia mas ignora que ela não está disponível. Com isso, ele passa a desconfiar do tratamento mais simples, mesmo que seja eficiente
Evidentemente o ideal seria a difusão de centros especializados com capacitação humana e tecnológica e acesso irrestrito aos pacientes que necessitam de tratamento para os aneurismas, assim como para todas as outras enfermidades. Essa é a nossa briga de bastidores. É o desafio dos médicos especialistas em promover o aprimoramento da estrutura médico-hospitalar em que estão inseridos. No entanto, a realidade atual está distante desse cenário. E, enquanto se aguarda o menor distanciamento entre o real e o ideal, a divulgação cuidadosa e criteriosa da importância da tecnologia médica se faz desejável.
Nos dias atuais é comum o paciente chegar no consultório médico com uma extensa pesquisa bibliográfica sobre sua doença e seus possíveis tratamentos, obtida por buscas na Internet, ou, muitas vezes, questionando um novo tratamento que foi anunciado no telejornal.
Sem dúvida nenhuma, a popularização do conhecimento médico é positiva, pois determina uma postura mais consciente por parte do paciente, que divide com seu médico a responsabilidade das decisões terapêuticas.
No entanto, conforme ouvi em um encontro de especialistas, ao apontarmos uma conduta médica devemos definir previamente “onde” e “quando” tal conduta poderá ser aplicada e “quem” fará isso. Em outras palavras, devemos dizer sem hipocrisia que a medicina se distribui ao longo do tempo e do espaço de forma bastante heterogênea. A tecnologia extremamente cara e essencial para algumas especialidades médicas fica, infelizmente, restrita a alguns poucos centros.
Dessa forma, o tratamento de um paciente com aneurisma cerebral – que há mais de 15 anos pode ser feito na França por cateterismo cerebral e embolização (colocação de pequenas molas que preenchem o aneurisma evitando seu novo sangramento) – só pode ser realizado por cirurgia convencional em inúmeras cidades do interior de São Paulo, por exemplo.
O paciente tem informações sobre as novas tecnologia mas ignora que ela não está disponível. Com isso, ele passa a desconfiar do tratamento mais simples, mesmo que seja eficiente
Possivelmente uma pequena porcentagem de pacientes com aneurisma cerebral pode ser tratada por embolização em nosso país. E podemos afirmar que os centros especializados estão concentrados na capital paulista. As razões da falta de acesso a essas tecnologias são financeiras (faltam hospitais devidamente equipados e capacitados com materiais que, em geral, têm custos elevados) e de recursos humanos (precisamos de pessoas capacitadas e treinadas para realizar esses procedimentos).
Respondendo às perguntas – Onde? Quando? Quem? -, podemos dizer, no exemplo da embolização para aneurismas cerebrais, que na França e na cidade de São Paulo (onde), em 2005 (quando), são realizados esses procedimentos e que em centros menores a cirurgia convencional por microcirurgia é a modalidade terapêutica disponível.
Algumas perguntas são pertinentes: qual o melhor tratamento? O paciente não deveria ter o direito de escolha? Quando teremos difundida essa modalidade de tratamento? E, por fim, “quem” aplica com propriedade tal conduta?
Respondendo conjuntamente: recentemente, um artigo científico não mostrou diferença significativa entre os dois tratamentos, desde que realizados por cirurgiões ou embolizadores altamente capacitados. Quando ambas as opções são eficientes, o paciente deve ter o direito de escolha, na maioria dos casos. Aliás, torcemos para que esse direito de escolha seja, em breve, assegurado à população em geral.
Por enquanto, o maior problema reside no fato de a globalização da informação não vir acompanhada da distribuição eqüitativa da tecnologia médica, culminando na incompreensão das limitações locais por parte do paciente. O que, em última análise, pode inviabilizar um tratamento médico local adequado e eficiente.
Voltando ao exemplo da embolização de aneurismas cerebrais, esperamos que essa tecnologia, conhecida há duas décadas em países do Hemisfério Norte, possa beneficiar em breve os pacientes brasileiros e de outros países. Enquanto isso, esperamos que a globalização da informação não seja enganosa e desleal ao ponto de deixar um paciente inseguro (além do inerente à condição de doente) diante da necessidade de uma microcirurgia convencional para o tratamento de seu aneurisma, visto que a literatura médica aponta resultados semelhantes para ambas as técnicas (cirurgia e embolização).
Acreditamos que os centros altamente especializados devam usar todos os recursos humanos e tecnológicos para o tratamento das patologias cerebrais, sem, no entanto, contribuir para a divulgação, por vezes pouco fundamentada, das exigências tecnológicas supostamente indispensáveis para a realização de tais procedimentos. Ressaltamos, portanto, que a sensacionalização da informação médico-tecnológica – diferente da popularização bem-intencionada do conhecimento científico – pode realmente dificultar a relação médico-paciente, não raro inviabilizando o tratamento de pacientes portadores de patologias cuja complexidade não exige grande aparato tecnológico para sua realização.
O paciente tem informações sobre as novas tecnologia mas ignora que ela não está disponível. Com isso, ele passa a desconfiar do tratamento mais simples, mesmo que seja eficiente
Evidentemente o ideal seria a difusão de centros especializados com capacitação humana e tecnológica e acesso irrestrito aos pacientes que necessitam de tratamento para os aneurismas, assim como para todas as outras enfermidades. Essa é a nossa briga de bastidores. É o desafio dos médicos especialistas em promover o aprimoramento da estrutura médico-hospitalar em que estão inseridos. No entanto, a realidade atual está distante desse cenário. E, enquanto se aguarda o menor distanciamento entre o real e o ideal, a divulgação cuidadosa e criteriosa da importância da tecnologia médica se faz desejável.






