Coluna do Editor I-2009
Colegas e amigos:
Dos tempos do “Cantinho do Secretário” aos tempos do “Vice não Fala”, repetida ,metódica e desafortunadamente perturbei aos leitores eventuais com críticas,mazelas e alertas.Revendo aqueles textos,aliás ainda disponíveis neste “site”, e revivendo os acontecimentos de então, concluo que nada mudou.
Quando escrevi em 2006,“preciso salientar que uma associação de profissionais não deve se restringir a eventos puramente acadêmicos, pois as grandes dificuldades do exercício profissional na especialidade transcendem em muito tais limites” e também “Nós Górdios” que constrangem a verdadeira prática neurocirúrgica, sejam desatados, aos poucos, com vontade associativa. Mas, para tanto, a mentalidade do grande número precisa mudar, saindo do marasmo peculiar; da malquerença invejosa e da cizânia vingativa. Incinerem-se as vaidades pessoais, os interesses subalternos e os arranjos alcoviteiros. Ou isto, ou seremos, do expoente ao aprendiz, triturados e homogeneizados na vala comum da mediocridade. É preciso mudar, é preciso agir, é preciso resistir”,confesso que,esperava em 2009 encontrar paisagem diferente, para melhor, que a atual.
Ao contrário, as ações associativas da especialidade neste Estado tem se limitado, acanhadamente, e até com certa retração, aos encontros congressuais de calendário e no cuidar de panoramas pessoais. A cizânia aumentou e muito.Serviços e seus responsáveis não se falam , e nem com a associação;arestas se criam, se aprofundam caracteristicamente xenófobas.A boa formação,no geral e no particular,é pouco levada em conta,prevalecendo critérios de indicação,familiaridade ou afins.Vale muito mais a aparência que a substancia.
No texto “O vice se cala“, ao final de 2007, minha esperança já estava finda. O que se sucedeu, só confirmou o que pensara. Logo em seguida, da associação,os que a procuraram emergencialmente,desta, já se esqueceram.
Prossegui por compromissos pessoais antes assumidos.O estabelecimento está agora,sob nova direção,a do Dr.Gabarra.Temos então,nova oportunidade de retomar laços,reaproximar serviços e colegas,relevar ações mal pensadas do passado recente e,principalmente,repensar a ação associativa do zero.Ter grandeza.Pedir desculpas sinceras pelos erros cometidos e pelo calor das palavras.Ter humildade e pedir colaboração agregada.Explicar que certas funções demandam lealdade aos superiores.
O exercício profissional está uma lástima. Não há coeficiente de honorários que se respeite e se acate, quer na esfera pública, quer dos agentes complementares. Os procedimentos são risivelmente pagos quer pelos governos, quer pelos “planos”. Nem de longe respeitam as responsabilidades e o trabalho envolvido ao fazê-los. Ora, cabe a pergunta: como sobrevive a especialidade e seus especialistas se nada se revisa quanto a isto, faz muito tempo? Eis o novo mistério. Será transubstanciação ou consubstanciação?
Se alguns muito poucos dizem estar muito bem, a enorme maioria não está, enrodilhada factualmente entre “planos”, suas glosas, justificativas, documentos sem fim, por um lado,e administradores hospitalares, fortes subjugando os esculápios , mas fraquinhos ,submissos aos “convênios”,ótimos em falir instituições,por outro lado.
Quem afirma, arrotando, estar muito bem, muito bem, pelo menos de pacientes, não está, pelo que se sabe.
É preciso “cair a ficha” vez por todas. É preciso haver um mínimo de união de classe para se conseguir alguma coisa. Observe-se outras categorias, bem menos sofisticadas. Até Presidente da República fizeram.
Bem, desta feita estou editor do “site”. Nesta função, gostaria de torná-lo a ferramenta que a modernidade permite para unir, pela comunicação, pela informação, pelo serviço, a classe dos neurocirurgiões paulistas. Tenciono criar páginas para cada serviço-escola ou de aperfeiçoamento que se interesse em divulgar seus eventos, seus casos, suas atividades, enfim. Tenciono criar um blog para que se torne um perene fórum de debates sobre a especialidade e seu exercício prático. Mensagens rápidas de interesse dos colegas poderão ser criadas via twitter.
Tudo isto e muito mais é possível de pronto,mas só com a participação de muitos, dos veteranos aos jovens.É preciso engajamento e envio de matérias, quer de cunho científico para debate e atualização, quer dos problemas no exercer a especialidade,no seu espaço ou serviço.
Se assim não for, nada feito. Zero associativo, de novo.
Sugestões, colaborações, críticas construtivas podem ser enviadas ao endereço editorsite@sonesp.com.br.
Agradeço desde já aos colegas que se interessarem. A associação é de todos. Sobretudo dos mais jovens, se mais forte e atuante.
Um abraço a todos.







