CRÔNICAS — 07 março 2011

Há dias atrás comecei recebendo emails de colegas neurocirurgiões revoltados com portarias e mais portarias que inviabilizam a prática neurocirúrgica. Na verdade a pratica médica vem sendo de há muito vilipendiada por baixos honorários, salários ofensivos, reajustes absolutamente insuficientes, uso […]

Roberto Colichio Gabarra


Há dias atrás comecei recebendo emails de colegas neurocirurgiões revoltados com portarias e mais portarias que inviabilizam a prática neurocirúrgica.

Na verdade a pratica médica vem sendo de há muito vilipendiada por baixos honorários, salários ofensivos, reajustes absolutamente insuficientes, uso e abuso dos planos de saúde interferindo na autonomia da classe médica, prática de contratos irregulares, sem critérios de reajustes e outras barbáries. Um colega e particular amigo, que há muito pugna por melhores condições de trabalho me enviou email, dizendo que as associações de classe não tomavam providencias e conclamava colegas para uma ação independente. No mesmo email outros já davam apoio e disparavam contra as nossas associações e nossas lideranças.

Como presidente da SONESP me senti provocado. Não ofendido, afinal a revolta é justa e merece ser encampada. Respondi ao colega que compartilhava com ele da sua indignação.  Também concordei que a SONESP, a SBN, a APM, a AMB, a FENAM, os sindicatos e até o CRM, deveriam entrar nesta briga. Na verdade todas as especialidades médicas deveriam ser envolvidas para dar legitimidade ao movimento junto ao ministério. Não poderia ser somente uma ação de lideranças, mas de toda uma categoria profissional.

Para entrar em um movimento deste porte e que envolve muito dinheiro e poder os médicos tem que estar unidos junto às suas associações. A forma de ação deve ser considerada. Imediatamente entrei em contato com outros dirigentes de associações e lideranças médicas reconhecidas, quer pelos cargos que ocupam quer por bandeiras de luta que sempre se destacaram. Propus desde fóruns para discussões envolvendo lideranças regionais até assembléias mais abrangentes para tomadas de posição. Destes contatos percebi que as lideranças já estavam mobilizadas e logo sairiam propostas de um movimento maior e organizado. Como saiu, aliás.

As sociedades regionais tem um papel importante na educação continuada e na resolução de problemas locais, mas a principal função de uma regional é unir forças para ações em conjunto. Em Março de 2009 assumi a SONESP com o objetivo principal de unir as grandes escolas paulistas e trazer mais associados à SONESP. Sempre disse que o grande patrimônio da SONESP é a sua marca. Temos a maior concentração de Neurocirurgiões e Serviços de Neurocirurgia, o maior contingente de escolas, o maior número de residências se encontra aqui.

Em função disto temos tambem o maior nascedouro de neurocirurgiões do Brasil. Tínhamos tudo para sermos muito mais fortes. Mas durante a minha gestão que se encerra agora em Março com o Neurão não consegui atingir estes objetivos. São Paulo continua dividida. Os nossos colegas não frequentaram nossas reuniões. Alguns serviços que sequer enviaram seus residentes para o Encontro dos Neurocirurgiões Jovens. Nosso Departamento de Exercício Profissional ficou às moscas.

Com toda esta problemática, nem meia dúzia de colegas nos procurou, sendo que alguns deles nem são do nosso estado.

Não adianta jogar pedras nas associações ou simplesmente protestar. Devemos apresentar sugestões e unir forças. Temos que participar.  Não acredito em falta de coragem das entidades, mas em falta de participação dos seus membros. Não acredito em vaidades das lideranças, mas em falta de apoio, e porque não, de cobranças dos liderados. Para agir é necessário uma retaguarda ativa e responsável. Não acredito tambem em rompantes isolados que pregam ações radicais.

Minha juventude, ativista, atuante e idealista mostrou que estas formas de ação são absolutamente ineficazes. A verdade é que sem união não há força. Para comandarmos uma ação nacional temos que ter mais membros atuantes. Nossas ações devem ser regidas por assembléias e os movimentos deveriam ter lideranças próprias, independentes das associações ou comandados por elas. Creio que tem pessoas dentre os neurocirurgiões que são líderes natos e podem liderar um movimento nacional. Mas não há lugar para personalismos e interesses particulares ou escusos.

Que 7 de Abril seja o inicio de um movimento realmente eficaz e que sejamos fortes para alavancar a classe médica sofrida e explorada.

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