CRÔNICAS — 11 janeiro 2011

O advento do computador certamente mudou todo nosso universo. E, como dizem: veio para ficar. Para melhorar as condições de trabalho, tornar as operações mais rápidas. Agilizar nosso mundo enfim. Tudo mudou! Quem não se lembra como era difícil fazer […]

O advento do computador certamente mudou todo nosso universo. E, como dizem: veio para ficar. Para melhorar as condições de trabalho, tornar as operações mais rápidas. Agilizar nosso mundo enfim. Tudo mudou! Quem não se lembra como era difícil fazer um levantamento  bibliográfico, uma pesquisa de preços, levantamento de mercado. Escrever à máquina então era um drama: tínhamos que nos ambientar com a máquina, saber exatamente como corrigir uma palavra errada, reescrever todo o texto em função de um erro ou mesmo uma mudança de linha de pensamento. Não se podia errar. Principalmente não se podia errar. Então apareceram os Sistemas! Aí o computador foi pródigo: O Sistema nos deu a chance do arrependimento! O direito ao erro! Voltar atrás! Podíamos voltar atrás e refazer apenas um trecho do escrito!

E no banco? As máquinas computadorizadas acopladas aos Sistemas nos serviam sem a necessidade de ficarmos em longas filas. Passamos a acessar os bancos de casa! De casa sabemos nossas multas. Se nossos carros estão devidamente licenciados. O que precisamos para recuperarmos aquele dinheirinho que ficou preso naqueles planos governamentais do passado. Passamos a fazer parte ativa do Sistema.

Mas o que veio para tornarem as ações rápidas, as movimentações seguras e a vida mais prática também trouxe suas demoras, inseguranças e complicações.

Para entrarmos nos sistemas precisamos de  nossos computadores, nossas senhas, nossa conta em algum provedor, nossa banda larga e principalmente nosso bolso cheio. A tecnologia dos computadores é tão rapidamente atualizada que ao instalarmos o nosso mais home modelo, já estamos ultrapassados 2 ou 3 gerações. Quando conseguimos arrecadar um dinheirinho para atualizar nosso equipamento em duas gerações, estamos atrasados cinco. Quando aprendemos a lidar com um home software nossos filhos começam a caçoar da nossa defasagem. Sim, até porque nossos filhos, que já nasceram sob o signo digital, estão anos luz na frente.

E a segurança? Ameaçada a cada segundo. Parece que os vírus estão evoluindo mais que os computadores. Todos os vírus são endêmicos, virulentos e rapidamente resistentes a qualquer tipo de vacina ou tratamento. Nossos equipamentos não saem da UTI. Consertos, configurações , formatações, fazem parte do nosso home idioma: computadorês! Por conta da insegurança, o Sistema lança mão de senhas para tudo. A senha para entrar. A senha para entrar na senha. A senha para entrar na senha da senha. Os bancos vão alem: alem da senha, temos a chave de segurança, depois a chave interna, depois a data do nascimento. Futuramente carteira de identidade, cic, altura, peso do momento, número do sapato e assim vai.

E as complicações? O Sistema não aceitou! Sim porque o sistema tem que aceitar! Tem que ser compatível! Tem que ser simpático, bonitão e porque não dizer bem apanhado! Incompatibilidade de gênios! E agora? Nos separamos? Procuramos um home sistema? O Sistema não está funcionando! Também. Tem direito. O Sistema está de férias. Luto. Nojo. O Sistema saiu de licença prêmio. Muito atual, já temos sistema em ação há mais de cinco anos!

Juntamente aos Sistemas também vieram os Entendidos em Sistemas. Mãe coruja:

– Meu filho sabe tudo de computadores. Desde bebezinho! Aos dois meses eu o  colocava em frente ao teclado e ele já batia as mãozinhas!!! Com um ano meu marido deu-lhe um computador. Agora passa dias e noites no computador. Ás vezes se tranca no quarto para ninguém perturba-lo tal é a paixão pelo computador. Não sei o que está fazendo, mas fico tranqüila porque sei que está no computador. Com isto não se envolve com drogas,com pornografia, com nada de  errado. Alguns amigos o chamam de ”Raquer”.  Deve ser alguma coisa muito importante para entendidos!

Os entendidos em Sistemas e computadores formam uma classe a parte. Basta você citar alguma palavra que lembre mesmo que de longe Sistemas ou Computadores para eles dispararem seu conhecimento. Parece que as palavras-chave ligam um start e eles disparam o falatório: mouse, hardware, softwarwe, link, bites, megas, gigas e etc. Como se estivessem falando dos seus órgãos reprodutores tal a paixão e o conhecimento de causa!

Para o futuro, mesmo que utópico é lícito sonhar com um computador que se auto atualize em hardware e software. Gratuitamente! E sem milhões de janelas de propaganda que se abram.  E Sistemas Robôs, que não necessitem de férias, licenças e nem precisem de UTIs. Sonhar também que em breve o Sistema estará colocando à disposição do usuário, on line evidentemente, manuais para identificar os entendedores de Sistemas e Computadores e logo a seguir disponibilizará vacinas e tratamentos profilático para os tais conhecedores.

E, principalmente que as crianças voltem a brincar bem longe dos computadores. Será um grande avanço!

Publicado no Diario da Serra, Botucatu.

Roberto Colichio Gabarra

*Roberto C. Gabarra é professor universitário da UNESP – Botucatu

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